SOBRE O CRIME

Até que ponto escrever é transgredir?
Quem escreve sobre um crime é capaz de cometê-lo?
Ou não comete por ser capaz de escrever?
Se há culpa, há necessariamente condenação?
Ou a culpa já é a própria pena?
Criar uma outra realidade é cruel?
Ou viver nela é a crueldade?
Simular uma mente perturbada equivale a estar aprisionado a uma carga emocional explosiva?
Você já viu a cor do sangue quando se mistura à água escorrendo pelo ralo? Perguntas, tantas perguntas! Respostas? Não creio que as tenha, mas certamente vamos fornecer alguns momentos de tensão (ou diversão?) para qualquer um que deseje ser testemunha voluntária.

HELENA

Por . | ˜ 2 comentários »


Helena queria muito, por vingança ou prazer, provar o gosto de outra boca. Cansada demais, humilhada, uma sombra vagando pelo casarão decadente. Ela não sabia nada, casou aos dezoito com um homem com idade para ser seu pai. Seis anos se passaram e havia-se tornado empregada e eventual mulher.
Cheirando a desinfetante e cloro, sempre vestindo trapos e esfregando o chão encardido. Naquele dia seria diferente, esperou que o marido saísse e pegou o sabonete comprado às escondidas. Foi uma delícia usar o aparelho de barbear dele para depilar as pernas, axilas e virilha. Riu enquanto cegava a gilete, ele sempre gritava que era homem’’ da antiga’’e não admitia plásticos. A banheira ficou cheia de pêlos e ela nem se importou. Usou um resto de colônia e sorriu para o espelho amarelado. Nada naquele lugar prestava. Do encanamento às panelas herdadas da sogra, tudo era sucata. Lixo.O carteiro chegou na hora habitual e começou a enfiar os envelopes na caixinha. A mulher escancarou a porta, nua e com um sorriso provocante. Há muito trocavam olhares, o máximo de intimidade aconteceu no Natal quando timidamente, ela entregou o envelope com a gorjeta. Tocou com a ponta dos dedos as mãos finas da moça tão bonita e maltratada. Agora eram apenas os dois e aquela urgência doída. Havia o perigo de serem surpreendidos e logo estava dentro dela. Movimentando-se apressado, pretendia gozar e deixar aquele lugar o mais rápido possível. Não contava que ela fosse tão gostosa, não imaginava tanta doçura, perdeu a noção do tempo. A visão do corpo largado em cima da mesa, completamente à mercê de seus desejos era irresistível. Repetia baixinho o nome, apaixonado e beijando Helena, dentro de Helena, aspirando o perfume de Helena...Helena...Helena...Helena...

Ninguém gosta de traição. O vulto aproximou-se da casa. Deu a volta e entrou pela garagem, que estava aberta. A traição não seria perdoada. Não mesmo. A porta da sala foi aberta. O insulto seria vingado. O machado caiu pelo menos sete vezes. O grito veio na primeira, que levou embora uma perna. A segunda levou um braço. A terceira levou a outra perna. A quarta levou o outro braço. A quinta cortou uma das coxas. A sexta levou um dos ombros. A sétima pôs o machado enterrado no abdômen. O olhar injetado da morte caiu sobre o carteiro. E em seu último suspiro, ele disse o nome dela. Agora começaria tudo novamente...


2 Responses to HELENA

  1. Zé Dylan Walker Says:
    Legal! welcome to Interzone!
  2. Marcos Satoru Kawanami Says:
    que porra é essa? tá maluca? vou chamar os ômi!

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Mais um da Editora Multifoco. O livro Beco do Crime celebra o já conhecido site de André Esteves, organizador da obra junto com Frodo Oliveira, e grande divulgador da nova literatura policial brasileira. Alguns contos são assinados por autores que também colaboram aqui no site.
Você pode comprar pelo e-mail denise_ravi@hotmail.com ou no site da editora Multifoco.
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Beco do Crime - Editora Multifoco
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Autor do Disparo: Denise Ravizzoni

ASSASSINOS S/A

ASSASSINOS S/A
A Editora Multifoco reúne neste livro vinte escritores do gênero policial. Mas, não se iluda. Os tempos são outros. Não há detetives europeus de capa e lupa, o romantismo dos trens em estações cheias de vapor no ar, misteriosos países distantes, lordes assassinados em bibliotecas. Tudo é cruel, vivo, pulsante e espantosamente verdadeiro.
Importante: eu, Denise Ravizzoni, Fabrício Romano, André Esteves, escritores aqui do site, estamos também na confraria dos Assassinos S/A, organizado pela Jana Lauxen.
Para comprar o seu, entre em contato com denise_ravi@hotmail.com
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Assassinos S/A
Editora Multifoco
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Autor do Disparo: Denise Ravizzoni

ASSASSINATO NA VILA NOÊMIA

ASSASSINATO NA VILA NOÊMIA
ANDRE ESTEVES
A rotina de dez moradores de uma pequena vila do subúrbio carioca é revirada quando um deles é encontrado degolado em sua própria casa. A perplexidade inicial logo dá espaço a um frenético jogo de desconfiança, pois o extravagante advogado Ricardo Dantas, contratado para trabalhar no caso, prova que o crime só poderia ter sido cometido por um grupo restrito, formado pelos próprios moradores.
Com a certeza de que o assassino está em seus muros, a vila torna-se um borbulhar de mentiras e de segredos, no qual a morte espreita em cada janela – e página. No melhor nível policial de enigma, o leitor é desafiado a participar do peculiar estilo Ricardo Dantas de investigação e a resolver o mistério antes que o assassino mostre sua face mais uma vez. O inusitado, no entanto, permanece até a última linha, pois a verdade pode ser tão profunda como o sorriso de uma mulher à vista da morte. Confira.
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Assassinato na Vila Noêmia
André Esteves
Editora Multifoco

UMA CARTA POR BENJAMIN

UMA CARTA POR BENJAMIN
JANA LAUXEN
O enredo é, no mínimo, instigante: imagine você, um belo dia, receber uma carta de alguém que absolutamente não conhece, mas que o trata com carinho e intimidade. Então imagine que esta pessoa passa a enviar cartas semanalmente, revelando a cada correspondência o novo capítulo de uma história que, pelo simples fato de se revelar, faz de você um cúmplice! Curioso? E não somos todos? Você pode comprar o livro através do blog da autora,
http://janalauxen.blogspot.com/, ou no site da editora Multifoco.
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Editora Multifoco - 136 pg
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Autor do Disparo: Jana Lauxen - RS

CRIME E CASTIGO

CRIME E CASTIGO
FIÓDOR DOSTOIÉVSKI
O livro relata a angústia e o sofrimento vividos por Ródion Románovitch Raskólnikov, jovem estudante de direito que se vê marginalizado pela falta de dinheiro. Após ter cometido o assassinato de duas mulheres: Alena Ivánovna, uma velha usurária, a quem empenhava alguns objetos para obter dinheiro e a irmã da usurária, por estar no lugar e hora erradas. Uma das obras mais importantes da literatura mundial, verdadeiro ensaio psicológico das personagens. A trama, à primeira vista, é um romance policial: descobrir um assassino, que está revelado ao leitor desde o início. Seria um romance policial comum se a narrativa não se fizesse transcorrer numa teia envolvente de personagens e tramas paralelas capazes de prender o leitor não mais para a resolução do caso, mas para a resolução dos dramas humanos que o autor propõe.
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Editora L&PM - Pocket - 590 pg
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AUTOR DO DISPARO: SHEYLA AMARAL - POA

FANTASMAS DO SÉCULO xx

FANTASMAS DO SÉCULO xx
JOE HILL
Joe Hill é o filho do mestre S. King. Isso poderia deixar muita gente de nariz torcido. Pois bem, desfaça a cara de 'ihhh, é filho do fulano...!" O cara é bom. Muito bom. Os contos de Hill horrorizam e prendem ao mesmo tempo. São uma espécie de teia. Através dos personagens – um adorável menino inflável; o filho de Van Helsing; um garoto seqüestrado que recebe ligações de um morto; um editor que se vê dentro de um conto de terror; um dono de cinema que se apaixona por um fantasma - ele dá vida aos piores pesadelos possíveis, nos mostrando em tela gigante as atrocidades de que o ser humano é capaz. Contos que você não esquece tão fácil.
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Editora Sextante - 288 pg
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AUTOR DO DISPARO: DENISE RAVIZZONI