Cinema


A Condessa (Alemanha – 2009), refilmagem do filme de 1971, com Julie Delpy e Daniel Brühl, e este A Condessa De Sangue. ++

Música


“Tem gente que nasce rebelde. Lendo a história de Zelda Fitzgerald, identifiquei-me com seu espírito insubordinado. Lembro de passear com minha mãe +++

Literatura


Desde o início dos anos 80, David Byrne, aquele cara peculiar e pilastra central do Talking Heads, tem usado a bicicleta como principal forma de locomoção +++

Ensaio


Fazendo fundo para uma beldade tatuada em pose convidativa na cama está nada mais nada menos do que J. Cristo, finalmente assumindo sua porção... ++

Afraid of me

"Eu tenho medo e medo está por fora
O medo anda por dentro do teu coração."




(Belchior, Pequeno Mapa Do Tempo)




Do que você tem medo?


Medo da morte?


Medo do escuro?


Medo da solidão?


Medo de ter medo?


Pois eu tenho medo de cobras.


O f i o f o b i a.


Sim, tenho pavor, pânico, perco o controle mesmo.


E olha que nem vi cobra sem ser no serpentário do Instituto Butantã ou no Discovery Channel.


Porém só de ver, aliás, só de imaginar aquelas coisas rastejantes, venenosas, cheias de escamas, com seus hábitos furtivos e desconfiados... ah, nem sei explicar.

Não só quando vou a um matagal, mas qualquer gramado, quintal, onde não houver que concreto eu uso minhas botas.


Às vezes tenho pesadelos com centenas de serpentes invadindo minha casa, meu quintal, tudo; aí acordo desesperado, sem fôlego, e passo o resto do dia tenso, subindo nas paredes por qualquer coceira na perna, qualquer coisa me roçando, e fico verificando gavetas, armários, roupas... elas podem estar em qualquer lugar.


Por isso não foi surpresa pra mim quando, naquela festa de final de ano da empresa, com amigo-secreto, quando já estava todo mundo bêbado, quando um colega fez uma “brincadeira”, me dando uma caixa com uma daquelas cobras que pulam em cima de você, sabe? Quando ele fez isso devia saber que eu entraria em pânico.


Não foi surpresa pegar uma cadeira e espancá-lo. Agora, injustiça é ele estar solto – só um tanto desfigurado, nada que um monte de cirurgias não resolva – e eu, inocente, vítima, fui condenado a mofar na prisão.


Pelo menos aqui ninguém mexe comigo, só comentam que sou “o cara das cobras”.
Sobre o Autor:
Fábio Vanzo Fábio Vanzo por ele mesmo: a versão paulistana de Patrice Mersault. Em Fábio Vanzo.

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Se não há culpa, não há condenação. Confessa!